Exame de trombofilia no SUS: ele pode salvar mulheres, mas nem todas têm direito

Exame de trombofilia no SUS: ele pode salvar mulheres, mas nem todas têm direito -

A coagulação é um dos processos mais importantes do corpo humano: ela impede que a gente sangre demais depois de se machucar, a ponto de ter uma hemorragia. Mas quando desregulado, ele pode gerar um trombo que, ao se deslocar pela corrente sanguínea, impede o fluxo de sangue para partes importantes do corpo, como cérebro e pulmões. O incidente pode ser fatal ou deixar sequelas.

Recentemente, têm sido divulgados na imprensa nacional e internacional inúmeros casos de trombose e AVC causados pelo uso da pílula anticoncepcional – fator que conhecidamente aumenta o risco deste tipo de acometimento.

Felizmente, um projeto de lei que promete a realização do exame genético que detecta trombofilia finalmente foi aprovado. Com isso, o acesso a um exame que pode ser caro, mas protege muitas mulheres, se torna mais fácil.

Exame de trombofilia no SUS: ele pode salvar mulheres, mas nem todas têm direito -

Exame de trombofilia será oferecido de graça a mulheres com histórico na família

Uma nova lei (16.599) facilita o acesso ao teste de trombofilia. Promulgada pelo prefeito Fernando Haddad e decorrente de um projeto de lei da então vereadora Patrícia Bezerra, hoje secretária municipal dos Direitos Humanos, ela permitirá que as mulheres da cidade de São Paulo com histórico familiar de trombose façam gratuitamente o exame genético que detecta a trombofilia, alteração da coagulação sanguínea – adquirida ou hereditária – que determina um maior risco de trombose.

O direito a esse exame não é novidade, no entanto. De acordo com a assessoria de imprensa da ex-vereadora, antes da lei, muitos médicos deixavam de prescrever esse exame porque ele pode ser muito caro, uma vez que o painel total da trombofilia envolve diversas análises. Agora, acredita-se que o aceso ao exame será facilitado, por exemplo, para mulheres que sofrem abortos espontâneos de repetição (cuja causa pode ser a trombose na placenta) e só fazem o teste em questão depois que outras possibilidades sejam descartadas.

É de se notar, também, que há diferenças entre o texto do projeto de lei – que solicita o exame para mulheres em três momentos: antes de iniciar a pílula, antes de iniciar a reposição hormonal e no pré-natal – e o texto da lei, que não cita essas situações e garante o exame só para as mulheres com casos de trombose na família.

O teste poderá ser feito nos estabelecimentos da Rede de Saúde Pública do Município de São Paulo, que fazem parte do Sistema Único de Saúde, mas dependerá de um encaminhamento do ginecologista ou obstetra que acompanha a mulher e da presença de histórico familiar de trombose.

Como é feito o exame

O ginecologista Jurandir Passos, do Delboni Medicina Diagnóstica, explica que o exame é feito a partir de uma coleta de sangue comum, que vai para análise a fim de identificar alterações que possam causar trombose, como é o caso da presença dos anticorpos antifosfolípides, desordem autoimune em que essas células lesam os vasos sanguíneos e causam a formação de coágulos, da alteração da enzima metilenotetrahidrofolato redutase, que aumenta os níveis de uma substância que também pode machucar veias e artérias e formar coágulos, e da mutação da protrombina, proteína essencial para a coagulação.

O exame pode ser parcial, para avaliar a presença de um ou outro fator de trombofilia, ou total, caso em que qualquer alteração é identificada.

Quando ele é importante?

Antes de começar a tomar pílula

O exame pode ser indicado, por exemplo, antes do início do uso da pílula anticoncepcional. Caso seja detectada alguma alteração, não será recomendada a pílula combinada, que, além da progesterona, traz também o estrogênio, hormônio relacionado com a trombose. Neste caso, opções viáveis seriam o DIU, tanto hormonal quanto de cobre, a camisinha, a pílula só de progesterona, entre outros.

O especialista alerta para que as mulheres abandonem uma prática que, infelizmente, ainda é muito comum: iniciar ou até trocar o anticoncepcional por conselho de uma amiga ou conhecida, sem ir ao ginecologista antes. O profissional vai ser capaz de avaliar o possível risco de trombose, se necessário pedirá exames e indicará o melhor método contraceptivo.

Antes da reposição hormonal

A reposição hormonal também é feita, conforme o nome indica, com hormônios, entre eles o estrogênio, e, por isso, antes de iniciá-la pode ser interessante fazer o exame para detectar a trombofilia e evitar que ocorram eventos como AVC e trombose pulmonar. Vale lembrar que o tabagismo, se associado, agrava as chances de formação de trombos.

Na gravidez

Na gravidez, uma série de alterações podem predispor a trombose, por exemplo: o aumento do peso do útero (que passa de 90 gramas para 3,5 kg, aproximadamente) pode pressionar os vasos que trazem o sangue das pernas, o que diminui a velocidade da circulação e pode predispor trombose. Outro fator de risco é a realização de uma cesariana e o uso de anestesia, que podem também gerar trombos.

Aborto espontâneo

Casos de perda gestacional de repetição – quando a mulher tem mais de um aborto espontâneo – também podem ter por trás uma trombofilia. “Nesse caso, a trombose acontece na placenta e o feto vai perdendo área de troca com o corpo da mãe, há limitação na passagem de nutrientes e gases, comprometimento do seu crescimento e pode haver morte fetal”.

Histórico de trombose

Quem já teve um episódio de trombose ou outra alteração vascular, como as varizes, ou teve algum caso na família pode ter o perfil genético que predispõe a trombose. Nesse caso, o exame pode fechar o diagnóstico e garantir os cuidados necessários com o risco de trombose.

Tenho tendência a ter trombose, e agora?

O especialista explica que não é feito nenhum tratamento para o risco de trombose, a única medida é tomar cuidado com a prevenção de traumas, em viagens de avião (quando o tempo parado é longo) e ao escolher o anticoncepcional, por exemplo.

Por outro lado, para as gestantes com alto risco, pode ser feito o uso de medicação anticoagulante, assim como em pacientes que passaram por grandes cirurgias, tiveram trombose recentemente e outras pessoas com alto risco de formação de trombos em geral.

 

Fonte: Vix

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