Moda e Revolução

Moda e Revolução -

A extinção do espartilho, a roupa de Duas Peças da Chanel, os vestidos pretos no tapete vermelho, como parte do movimento #TimesUp, são apenas algumas amostras da relação histórica entre moda e feminismo.

Como terminar uma passarela inspirada na nova onda de revolução feminina? Pois com um protesto. Karl Lagerfeld projetou uma avenida Francesa dentro do Grand Palais para seu show Primavera 2015 na Paris Fashion Week: essa rua fictícia foi tomada por uma multidão de garotas vestidas de Chanel, encabeçadas por Cara Delevingne e Caroline de Maigret com megafones na mão, e entre as quais outras modelos, como Kendall Jenner, Georgia May Jagger e Joan Smalls, que seguravam banners com os slogans ‘History Is Her Story’, ‘Feminism Not Masochism’ e ‘Ladies First.

É complicado imaginar Lagerfeld como feminista (principalmente por seus comentários sobre o peso e a aparência física das mulheres); o que é certo é que o designer sabe ler bem a tendência do momento.

Mas a história da marca que ele dirige tem um capítulo importante-que não é o de seu protesto chique em Paris -, na relação longa e profunda entre o movimento feminista e a moda, que é muito mais do que uma simples tendência sazonal.

Se no início do século XX a primeira revolução na aparência feminina foi dada quando Paul Poiret, designer francês, suprimiu o Espartilho e a eclosão da Primeira Guerra Mundial forçou as mulheres a assumir papéis mais ativos na sociedade, em meados dos anos vinte, a segunda revolução aconteceu: seu nome era Coco Chanel. Ela projetou o terno de duas peças e marcou os primeiros passos da liberação feminina.

Os anos 60 são um ponto de ruptura na história. A roupa fazia parte do movimento hippie e estava ligada aos conceitos de movimento, fluidez e liberdade. Esta é a década em que uma das roupas mais revolucionárias do vestuário feminino foi inventada-a mini-saia. Mary Quant foi a designer que a lançou no campo comercial.

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A liberação era física, mental e, claro, sexual. Assim, quando Diane von Fürstenberg criou as primeiras versões de seu icônico vestido envolvente, ela foi identificada com esse espírito erótico.

Quando perguntado sobre como a ideia de seu design surgiu, ele respondeu com muita confiança: ‘bem, se você tentar sair de uma cama sem acordar o homem, os fechamentos são um pesadelo’. Era um fato: a mulher tomava suas decisões e suas roupas a exclamavam.

Os anos 80 viu a empresária nascer. O power suit tornou-se a roupa da mulher moderna. Era como se esta tivesse assaltado o armário de um homem para fazer dos seus fatos uma versão melhor. Mais de um grupo estava incomodado com a idéia de que as mulheres estavam se vestindo como homens, mas quem disse que esse visual era exclusivo?

A moda é de curta duração, mas os conceitos não. O feminismo não é uma tendência, é uma realidade e as roupas complementam a ideia.

Maria Grazia Chiuri, primeira diretora criativa da Dior, mostrou em sua passarela de estréia para a empresa francesa uma camiseta com a mensagem “todos nós devemos ser feministas” não é um apelo ao consumo, mas um grito pela mudança.

Atrizes de Hollywood vistam-se de preto em tapetes vermelhos como parte do movimento #TimesUp, que condena abusos na indústria do entretenimento, está longe de ser um simples tweet.

A moda é vista como algo frívolo, ridículo ou puro consumismo simplesmente. Como tudo, tem seu lado escuro; mas não se esqueça que o simples fato de ter milhares de opções para comprar significa que a sociedade já tem algo claríssimo: você é independente, você escolhe o que você gasta e como você quer se mostrar. E agora, estamos vestidas para continuar a mudar o mundo.

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