Caso de coronavírus confirmado em São Paulo: o que se sabe e como se proteger

Caso de coronavírus confirmado em São Paulo: o que se sabe e como se proteger

Foi confirmado o primeiro caso de coronavírus no Brasil, na cidade de São Paulo. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde após dois testes terem resultados positivos – um pelo Hospital Israelita Albert Einstein e a contraprova pelo Instituto Adolfo Lutz.

Coronavírus no Brasil: o que se sabe sobre 1º caso

Em 25 de fevereiro, exames realizados em um paciente de 61 anos no Hospital Israelita Albert Einstein deram positivo para Covid-19 (nome usado para designar a doença, que começou seu ciclo em Wuhan, na China, em dezembro de 2019) – e, diante da nova suspeita, amostras foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, que confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil.

Segundo informações do Ministério da Saúde, o paciente em questão vive em São Paulo e esteve na Itália a trabalho entre os dias 9 e 21 de fevereiro, retornando com sintomas típicos da doença, como febre, tosse seca, dor de garganta e coriza. Ao divulgar as primeiras suspeitas, o órgão garantiu que o paciente encontra-se bem e que apresenta sinais brandos da virose.

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Em coletiva, o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou que o paciente está em isolamento domiciliar. “Só devemos levar para o ambiente hospitalar quem tem quadro respiratório grave. Esse senhor é monitorado diariamente por uma equipe de saúde”, garantiu ele, afirmando que hospitalizar pacientes como este aumenta os riscos para pessoas em estado debilitado que estejam no local.

Além disso, ele garantiu também que todos os familiares do paciente e pessoas que estavam com ele no avião na volta da Itália (especialmente os que se sentaram mais próximo dele) já estão em observação para garantir que novos casos sejam notificados rapidamente. Segundo o secretário de Estado de Saúde de São Paulo, José Henrique Ferreira, o paciente deixará o isolamento assim que houver o término dos sintomas.

Orientações do Ministério

Desde o início do surto, mais de 100 casos suspeitos foram descartados pelo Ministério da Saúde, e a confirmação da chegada da doença ao País gerou certo alarde, principalmente nas redes sociais. Diante disso, o órgão reforçou a importância da circulação de informações verdadeiras, de redobrar os cuidados com a higiene pessoal e de buscar ajuda em situações suspeitas.

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“O brasileiro precisa aumentar o número de vezes que lava as mãos e o rosto durante o dia para que a gente possa atravessar essa e outras situações. Esse é um hábito importante não só para a questão respiratória, mas para outras doenças de circuito oral”, afirmou o ministro, dando também orientações sobre o que fazer em caso de viagens recentes ou agendadas.

“A regra continua sendo: se tem sintomas, não viaje. Viajou, informe as autoridades quando chegar. Se não tinha sintomas, mas está vindo de áreas com casos dentro de catorze dias e passou a ter sintomas, procure uma unidade de saúde”, informou. Além disso, ele assegurou também que, assim como ocorre com outras viroses, o coronavírus não se desenvolve em pacientes que já tiveram a doença.

Coronavírus: o que é, sintomas e prevenção

O SARS-CoV-2 é um novo tipo de coronavírus, família de micro-organismos que causam infecções respiratórias. Segundo o Ministério da Saúde, é comum entrar em contato com vírus desta família ao longo da vida, e eles podem causar tanto doenças brandas quanto males graves como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que infectou mais de 8 mil pessoas e matou mais de 800 pelo mundo nos anos 2000.

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Após os primeiros casos na China, em dezembro de 2019, a doença começou a se espalhar, afetando, até agora, 37 países, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou uma emergência de saúde pública global pela expansão do coronavírus. Por enquanto, não há um tratamento específico nem uma vacina para a doença, e o foco dos órgãos de saúde está na prevenção e na investigação dos casos suspeitos.

Transmissão e sintomas

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão do Covid-19 ocorre de pessoa para pessoa, ou seja, através de gotículas respiratórias ou contato físico, e está sob risco de contaminação qualquer pessoa que tenha contato próximo (aproximadamente 1 metro) com alguém contaminado. Além disso, encostar em superfícies contaminadas e levar a mão à boca, ao nariz ou aos olhos também possibilita a transmissão.

Como uma doença tipicamente respiratória, o novo coronavírus gera sintomas comuns de resfriados, tendo febre, tosse e dificuldade para respirar como os principais sinais. É possível também que a doença inicialmente se manifeste sem febre, e evolua para quadros mais graves com taquicardia, dor no peito e falta de ar. Por enquanto, a taxa de mortalidade da doença tem se mantido em torno de 2%, índice mais baixo que o da SARS.

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Prevenção

Com a rápida expansão da doença e a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, muita gente começou a considerar a compra de máscaras e luvas para prevenir a transmissão, bem como se deparar com receitas de remédios caseiros e outras “dicas” – mas nem tudo é realmente indicado por especialistas para combater o coronavírus. Na atual situação do País, é necessário saber que:

  • Máscaras não são necessárias para pessoas saudáveis: segundo a OMS, o uso de máscaras só é útil para quem está cuidando de pessoas sob suspeita da infecção por coronavírus e para pessoas que estão tossindo ou espirrando. Além disso, seu uso só é efetivo quando combinado com um reforço em medidas de higiene como lavar as mãos com frequência ou higienizá-las com fluidos à base de álcool.
  • Reforçar a higiene pessoal e usar álcool em gel é essencial: segundo o Ministério da Saúde, lavar as mãos com certa frequência é essencial para prevenir a transmissão de infecções como a causada pelo coronavírus. A recomendação é de se usar água e sabonete, lavando as mãos por ao menos 20 segundos, ou utilizar desinfetante para as mãos à base de álcool.
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  • Tocar o rosto o tempo todo aumenta os riscos de transmissão: a boca, o nariz e os olhos são portas de entrada para o vírus e, uma vez que as mãos estão contaminadas por contato com pacientes ou superfícies infectadas, tocar o rosto se torna arriscado. Aqui, a orientação é a de que esse contato seja evitado, especialmente quando as mãos não estiverem lavadas.
  • Cobrir a boca e o nariz ao espirrar é essencial: como o coronavírus é transmitido por gotículas expelidas pela boca ou pelo nariz, é importante proteger o rosto e impedir que elas sejam jogadas no meio ambiente. Aqui, o mais indicado é espirrar ou tossir em um lenço de papel e descartá-lo em seguida ou usar as mãos e lavá-las imediatamente.
  • Pessoas doentes devem evitar contato com outras: de acordo com o órgão, é indicado que pessoas debilitadas não se exponham ao meio, bem como orienta pessoas saudáveis a não estabelecerem contato próximo com indivíduos doentes sem a devida proteção.
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  • Evitar aglomerações é recomendado: assim como ocorre com outros vírus, locais de grande circulação possibilitam um maior risco de transmissão quando há uma epidemia estabelecida. Se o número de casos da doença no Brasil aumentarem muito, evitar aglomerações é uma forma de prevenir a contaminação por ele.
  • Tomar vitaminas, usar óleos, tomar chás e misturas caseiras não previne a doença: segundo especialistas, não há estudos que comprovem a eficácia de substâncias como a vitamina D e C, o óleo de orégano, o chá de erva-doce ou soluções de água com sal contra o coronavírus, e elas não devem, portanto, ser usadas ou divulgadas como forma de prevenção.
  • Encomendas da China não chegam contaminadas: de acordo com Michelle Zicker, infectologistas da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o que se sabe até agora sobre o coronavírus é que ele não sobrevive por muito tempo em superfícies, então é pouco provável que encomendas provenientes do epicentro do surto da doença tragam o vírus consigo.

Fonte: VIX

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