Candidíase aumenta no verão, gera corrimento e dor: previna de forma natural

Candidíase aumenta no verão, gera corrimento e dor: previna de forma natural

Durante o verão, o maior tempo de contato com biquíni molhado e a sudorese aumentada pelo calor favorecem um abafamento da região íntima feminina que é o território perfeito para o surgimento da candidíase.

Não à toa, esse tipo de problema é mais comum nesta época do ano e, apesar de ele não ser grave, pode causar muito desconforto para a mulher. Para prevenir e lidar com ele, porém, existem inúmeras formas simples e naturais.

Candidíase: por que aumenta no verão?

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Candida Albicans, fungo causador da candidíase, é um dos muitos micro-organismos naturais da flora vaginal que, em uma situação normal, não oferecem problemas. Conforme explica o ginecologista Johnata Dacal, da Clínica Duo Mais, porém, alguns fatores podem fazer com que este fungo se prolifere de maneira excessiva, fazendo então com que a mulher desenvolva essa comum infecção.

Bem frequente entre mulheres, a candidíase (que gera sintomas como corrimento esbranquiçado, coceira, ardência ao urinar e até dor) é ainda mais comum no verão, e o médico explica. “Costuma-se ver esse aumento pelas altas temperaturas, aumento da sudorese, abafamento da região íntima e uso de roupas de banho molhadas por um período prolongado, deixando o ambiente favorável para a proliferação do fungo”, diz.

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Como prevenir a candidíase naturalmente

Apesar de não ser uma doença grave, a candidíase é algo bem incômodo que pode se tornar crônico e até ser transmitido para parceiros e parceiras sexuais, então é importante não apenas tratá-la, mas manter hábitos saudáveis para prevenir a infecção. De acordo com o ginecologista, inclusive, há algumas formas bem básicas de se fazer isso.

Atenção: ao notar o surgimento dos sintomas, é importante buscar atendimento médico para obter o diagnóstico correto, já que várias doenças podem ser confundidas com a candidíase (inclusive alergias e DSTs).

Banhos de assento naturais

Tanto para aliviar os sintomas da candidíase quanto para preveni-la em situações específicas, Dacal afirma que é possível recorrer a banhos de assento com óleos vegetais e ervas, sempre tomando o cuidado de buscar componentes puros para realizar o processo. “Existem muitos óleos à venda adulterados que podem comprometer ainda mais o equilíbrio da flora vaginal”, alerta.

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  • Óleo de melaleuca: de acordo com o ginecologista, este óleo tem propriedades fungicidas e é efetivo contra esta infecção, devendo ser usado em pequenas quantidades (duas gotas do óleo vegetal puro em um litro de água morna);
  • Bicarbonato de sódio: Dacal afirma que, para aliviar os sintomas da candidíase, o bicarbonato de sódio costuma ser bem eficaz por agir de forma a equilibrar o pH da região íntima. Bem como a melaleuca, ele também requer diluição, e deve ser preparado com uma colher de sopa misturada a um litro de água morna;

Barbatimão, calêndula e camomila: por não terem uma ação específica contra a candidíase como os outros ingredientes citados, estas ervas não costumam ser a primeira opção indicada por médicos para tratar a doença, mas tanto Dacal quanto Luiza Magalhães Cadioli, médica de família e comunidade do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde, afirmam que elas podem ser úteis contra os sintomas. Segundo ele, o barbatimão e a calêndula são úteis contra qualquer infecção na região pélvica, oferecendo melhora na coceira e no desconforto em geral. Já de acordo com Luiza, a camomila tem propriedades calmantes, ajudando quando a mucosa está muito irritada e inflamada. Para preparar estes banhos, basta fazer uma infusão com duas colheres de sopa da erva escolhida em um litro de água.

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Conforme orientam os médicos, o indicado é fazer um ou dois banhos de assento por dia (com intervalo de mais ou menos 12 horas), permanecendo com a vulva imersa nas infusões durante cerca de dez minutos. O processo deve ser feito enquanto durarem os sintomas e, segundo Dacal, também são indicados para fazer logo após o fim do período menstrual caso a mulher apresente um quadro específico.

“Geralmente, esses banhos são bons para mulheres que sempre têm, próximo ao período menstrual, algum incômodo, começo de corrimento, começo de odor. A gente pode recomendar para que sempre ela faça esses banhos um dia depois do período menstrual, assim a gente diminui os riscos da proliferação de fungos”, afirma o ginecologista.

Fazer banhos de assento desnecessariamente não é indicado

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Sem a presença de sintomas que justifiquem o uso dos banhos como prevenção, porém, Luiza alerta para o fato de que a vagina se auto-regula. “A mucosa saudável sem desequilíbrios não precisa de banhos de assento preventivos. Além disso, duchas vaginais preventivas eliminam os lactobacilos, que são bactérias protetoras da flora vaginal”, pondera a especialista.

É importante lembrar também que alguns organismos podem apresentar sensibilidade aos componentes citados e que, ao apresentar sintomas da candidíase, é indicado que a mulher vá ao médico e peça ao profissional a indicação do melhor banho de assento para a situação. Apesar de seguros, os banhos de assento não substituem a medicação para candidíase.

Trocar as roupas molhadas

Especialmente no verão, uma das coisas mais importantes a se fazer para prevenir a candidíase é evitar períodos prolongados usando roupas de banho molhadas. Como explicado pelo médico, a umidade favorece a proliferação exagerada do fungo causador da infecção, então é indicado andar com mudas de roupa em viagens e tirar o biquíni ou maiô após aproveitar o mar ou a piscina.

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Além disso, também é interessante fazer o mesmo logo após o término de atividades físicas, já que o suor causado pelos exercícios também pode deixar as roupas íntimas úmidas, favorecendo, desta forma, o surgimento da candidíase.

Evitar roupas apertadas

Outro cuidado ligado às roupas é, segundo o médico, evitar roupas apertadas, especialmente em dias muito quentes. Isso porque esse tipo de roupa abafa a região íntima, mantendo-a úmida e, novamente, propícia à proliferação exagerada do fungo.

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Evitar alimentos gordurosos e açúcar em excesso

Durante viagens e férias, é natural que as pessoas mudem um pouco os hábitos alimentares, fazendo refeições menos saudáveis – algo que, conforme explica o ginecologista, também pode influenciar no aparecimento da candidíase. “Alimentos gordurosos, calóricos e com excesso de açúcar podem alterar o pH vaginal e criar um ambiente favorável para a proliferação de fungos”, afirma.

É indicado, portanto, tentar não sair muito da dieta habitual, consumindo legumes, verduras, proteínas e carboidratos em quantidades equilibradas, evitando o excesso de alimentos fritos e o consumo exagerado de doces.

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Apostar em probióticos

Outra dica relacionada à alimentação que pode ajuda a prevenir a candidíase é apostar em produtos probióticos, ou seja, que contêm bactérias benéficas para o corpo. Conforme explica Dacal, o consumo desse tipo de produto – como iogurte orgânico e leite fermentado – ajuda a harmonizar a flora vaginal e o pH da região, diminuindo as chances de um desequilíbrio causar a doença.

Dormir sem calcinha

Como o abafamento da região vaginal facilita a proliferação de fungos, certificar-se de que ela fique arejada durante um bom período é importante – e, para garantir isso, uma boa dica é dormir sem calcinha ou dispensar a peça enquanto estiver em casa. Sair sem ela também pode contribuir para arejar a região, mas é preciso tomar cuidado com a roupa que será usada.

Caso a mulher use uma saia muito curta e esteja sem calcinha, é possível que a região íntima faça contato direto com as superfícies em que ela se sentar, favorecendo a contaminação por micro-organismos que estiverem no lugar.

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Evitar cosméticos íntimos

Atualmente, a gama produtos voltados para a higiene íntima da mulher é vasta, mas muito do que está à venda é, na realidade, perigoso para a saúde. “O uso de desodorantes, talcos, cremes e sprays com inúmeros componentes podem ter efeito contrário, alterando a flora e facilitando a proliferação de micro-organismos”, afirma o médico, lembrando que a área íntima precisa de pouco para ser limpa.

Segundo ele, a flora vaginal se regula sozinha, sem a necessidade de lavagens internas e outros produtos com essa finalidade, enquanto a vulva em si (parte externa) deve ser higienizada com água e um sabonete neutro, preservando assim o pH natural da região.

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Não depilar com muita frequência

Para Dacal, o ato de depilar a região íntima em si não é problemático, mas a forma como isso é feito também pode desequilibrar a flora vaginal. “Apesar de controverso, a depilação não aumenta a incidência da candidíase, mas a maneira e a frequência da depilação pode irritar a pele e aí sim facilitar a proliferação e micro-organismos”, explica o ginecologista.

Neste caso, o ideal é se depilar em locais confiáveis que não reciclam a cera, manter os aparelhos de depilação com lâminas devidamente higienizados (evitando objetos enferrujados) e manter um bom intervalo entre as depilações.

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Evitar relações sexuais sem camisinha

Embora a candidíase não seja uma doença sexualmente transmissível (DST), ela pode, sim, ser transmitida pelo contato sexual, então para afastar qualquer risco disso acontecer, o melhor é usar camisinha durante o sexo. É importante lembrar também que, apesar de ser bem frequente entre mulheres, a candidíase também ocorre em homens.

Fonte: VIX

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